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(01-08-08) - Honda CBR 600RR e CB 600F Hornet têm praticamente o mesmo motor: quatro cilindros em linha de exatos 599 cm³ de capacidade. Em ambas, as suspensões são invertidas na dianteira e monoamortecida na traseira. Rodas e pneus são exatamente iguais: aro 17 em liga-leve calçadas com pneus 120/70 na frente e 180/55, atrás. Mas porque, então, a CBR 600RR custa muito mais?

A resposta está no projeto de cada uma das motos. Não é apenas o visual esportivo e a carenagem da CBR 600 que justifica a diferença de R$ 10.000 entre os dois modelos. O que distingui os dois modelos Honda de 600cc é a tecnologia envolvida em cada um deles.

Além da óbvia diferença de estilo – naked e superesportiva – e da constatação de que a CB 600F Hornet é mais versátil e confortável que a CBR 600RR, analisamos tecnicamente cada um dos modelos e mostramos as diferenças que fazem destas motos “primas” distantes.

Motor

Os dois propulsores têm a mesma capacidade cúbica e originam-se do mesmo projeto. Têm o mesmo diâmetro e curso e a mesma capacidade (599 cm³), além da mesma estrutura – quatro cilindros em linha com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC). Porém internamente há muitas diferenças que explicam porque a Hornet produz “apenas” 102 cv a 12.000 rpm, enquanto a CBR oferece 120 cv a 13.500 rpm.
A começar pelos materiais utilizados na fabricação. Enquanto os pistões da CBR são feitos em alumínio forjado, os da Hornet são feitos em alumínio também, porém injetado. “Isso porque na CBR, o motor gira mais que na Hornet e, portanto, os pistões sofrem maior esforço”, explica Alfredo Guedes Júnior, engenheiro da Honda. A tampa de válvulas da CBR é feita em magnésio, já na Hornet é feita em alumínio. Materiais que começam a explicar a diferença de preço.

Mas os 18 cv a mais da CBR 600RR não vêm só dos materiais utilizados. Os sistemas de alimentação e exaustão das duas motos são completamente diferentes. Enquanto na Hornet apenas uma mola controla a abertura das válvulas, na CBR são duas. Apesar de terem o mesmo ângulo de abertura das válvulas, os dutos de admissão têm ângulos diferentes. “O motor da CBR 600 também é mais inclinado à frente. Isso faz com que a mistura despenque para dentro da câmara de combustão”, simplifica Alfredo.

Outro item importante para a maior potência no modelo superesportivo é o sistema de alimentação. Apesar de ambas serem equipadas com injeção eletrônica, a CBR 600RR traz o sistema de dois bicos injetores por cilindro, enquanto a Hornet tem apenas um. Isso sem falar na indução direta de ar, uma espécie de turbo natural que em altas velocidades injeta ar com mais velocidade para dentro do motor. O sistema pode ser notado pela grande abertura central na carenagem da CBR 600. “Tudo é projetado para aumentar a velocidade com que a mistura entra na câmara de combustão”, completa o engenheiro da Honda. Alfredo ainda acrescenta que o motor da CBR é mais taxado, ou seja, a taxa de compressão é maior: 12,2:1 na CBR e 12,0:1 na Hornet.

Na prática, nota-se que o motor da Hornet funciona mais “redondo” em baixas rotações e em uso urbano, mas também oferece emoção se o piloto girar o acelerador. Já na CBR 600RR o propulsor parece ter fôlego infinito em altas rotações, empurrando sem parar até os 13.500 rpm.

Ciclística
A especificação do quadro de ambas é a mesma: tipo diamante em alumínio. Seria o mesmo? Não, responde Alfredo. “Diamante significa que ambas usam o motor como parte integrante da estrutura, mas eles são bem diferentes”. A Hornet tem um chassi monotrave superior em alumínio. “Mais ‘flexível’ e maleável no uso urbano”, resume o engenheiro.

Já na CBR trata-se de um perimetral de dupla trave superior. Mais rígido e de acordo com a proposta esportiva da CBR, uma moto praticamente pronta para competir. “As reações das motos urbanas são indesejáveis na pista”, resume.

As suspensões que podem parecer semelhantes aos leigos guardam também importantes diferenças. Apesar da mesma especificação, o garfo telescópico dianteiro da Hornet já vem com um acerto para o uso em ruas e estradas, em sintonia com seu chassi. Já na CBR 600RR oferece múltiplas regulagens, desde a pré-carga da mola até a velocidade de compressão e retorno. “Como cada piloto tem sua tocada, na CBR pode-se regular a suspensão ao seu gosto. Já na Hornet o acerto é padrão de fábrica”, diz Guedes.

Na suspensão traseira, mais diferenças. Enquanto o único conjunto mola-amortecedor da Hornet está fixado na balança, no sistema Unit Pro-Link da CBR 600, o amortecedor está embutido na balança traseira, tecnologia já usada nas motos de competição da Honda, como a RC 212V do Mundial de MotoGP. Tudo para manter a roda no chão nas saídas de curva e acelerações.

Ao rodar com as duas, nota-se mais rigidez da CBR. A moto fica mais “dura” para circular na cidade, porém mais estável em uso extremo, como frenagens bruscas para fazer uma curva. Já a Hornet sente-se em casa ao passar em corredores e enfrentar algumas (pequenas, é verdade) imperfeições no asfalto.

Sem falar na posição de pilotagem, que também influencia no conforto do motociclista. Na CBR, o piloto fica deitado sobre o tanque, já na Hornet a postura é mais ereta. Mas aí é uma questão de estilo e gosto de cada um. Além do bolso, é claro. Já que a Hornet tem preço sugerido de R$ 30.837 (R$ 33.137, na versão com ABS), enquanto a CBR 600RR, R$ 42.200. Uma diferença e tanto que vai além do estilo.


FICHA TÉCNICA – Honda CB 600F Hornet X Honda CBR 600RR
MODELOS Honda CB 600F Hornet Honda CBR 600RR
MOTORES Quatro tempos, quatro em linha, 16 válvulas, DOHC, arrefecimento líqüido, 599,3 cm³ Quatro tempos, quatro em linha, 16 válvulas, DOHC, arrefecimento líqüido, 599,3 cm³
POTÊNCIAS 102 cv a 12.000 rpm 120 cv a 13.500 rpm
TORQUES 6,53 kgm a 10.500 rpm 6,73 kgm a 11.000 rpm
ALIMENTAÇÕES Injeção eletrônica Injeção eletrônica
TRANSMISSÕES FINAL Corrente Corrente com anéis de vedação
CÂMBIOS Seis marchas Seis marchas
PARTIDAS Elétrica Elétrica
RODAS Dianteira e traseira de aro 17” Dianteira e traseira de aro 17”
PNEUS Dianteiro 120/70 ZR17M/C 58W, traseiro 180/55 ZR17M/C 73W Dianteiro 120/70 ZR17M/C 58W, traseiro 180/55 ZR17M/C 73W
CHASSIS Mono trave superior fundido em alumínio. Comprimento de 2.085 mm, 760 mm de largura total, altura de 1.090 mm, distância entreeixos de 1.435 mm, altura mínima do solo de 135 mm, altura do assento de 804 mm e peso a seco de 173 kg Dupla trave superior em alumínio. Comprimento de 2.008 mm; largura de 684 mm; altura de 1.108 mm, altura mínima do solo de 137 mm; entreeixos de 1.373 mm; altura do assento de 823 mm; peso a seco de 155 kg
TANQUES 19 l 18 l
SUSPENSÕES Dianteira com telescópica invertida, 41 mm de diâmetro e 120 mm de curso. Traseira monoamortecida, 128 mm de curso e sete regulagens de pré-carga da mola Dianteira com telescópica invertida, 120 mm de curso e totalmente ajustável. Traseira UNIT PRO-LINK, com reservatório de gás, ajuste de pré-carga de mola, curso de 129 mm
FREIOS Dianteiro com dois discos flutuantes, de 296 mm de diâmetro, mordidos por pinças de 2 pistões cada, com acionamento hidráulico; traseiro com disco simples de 240 mm Dianteiro com dois discos flutuantes, de 310 mm de diâmetro, mordidos por pinças radiais de 4 pistões cada, com acionamento hidráulico; traseiro com disco simples de 220 mm
CORES Vermelha e preta Branca, preta e vermelha
PREÇOS R$ 30.837 (R$ 33.137) R$ 42.200 (US$ 23.195)
câmbio de maio de 2008
Material criado pela "Racing bike".
 

 

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